english | português



23 candidaturas, 23 maneiras de olhar para o mesmo oceano

Quando uma convocatória artística termina, o primeiro resultado não é ainda a selecção. É o mapa de ideias que chega até ela. No caso de Atlantic Waves of Change – Arte pelos Oceanos, esse mapa ganhou a forma de 23 candidaturas de artistas visuais angolanos dispostos a pensar a relação entre arte, ambiente, reutilização de materiais, comunidades e protecção dos oceanos.

O número é relevante, mas diz apenas parte da história. Desde o início, a residência foi concebida para estimular práticas multidisciplinares e colaborativas e abriu espaço a percursos ligados à pintura, escultura e instalação, valorizando também a experiência – ou a vontade de experimentar — com resíduos e materiais reutilizados. O resultado é uma convocatória que coloca diferentes linguagens e processos criativos diante da mesma pergunta: como transformar a relação com o mar em matéria artística?

A diversidade, aqui, não precisa de ser reduzida a uma lista de categorias. Está na possibilidade de cada artista partir de referências, materiais, preocupações e formas de expressão distintas. Como resumiu Jesper Kristensen, Director Geral da Atlantic Logistic Services, cada candidatura representa “uma perspectiva, uma preocupação e uma possibilidade de transformação”.

É precisamente essa pluralidade de olhares que dá sentido ao projecto. O Oceano Atlântico pode ser território, memória, recurso, fronteira, ameaça ambiental ou espaço de pertença. A arte permite que todas essas dimensões coexistam, se confrontem e sejam traduzidas em formas capazes de chegar ao público por caminhos diferentes.

Com as candidaturas encerradas, Atlantic Waves of Change entra agora numa fase mais difícil: escolher apenas três artistas para a residência. Mas, antes da selecção, fica já uma primeira evidência — há uma comunidade criativa disposta a colocar o seu trabalho ao serviço de uma conversa maior sobre sustentabilidade, responsabilidade e futuro.