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Escolher sem reduzir: o júri que transforma 23 candidaturas em três lugares de residência

Seleccionar três artistas entre 23 candidaturas não é apenas escolher os melhores portfólios. Numa residência como Atlantic Waves of Change – Arte pelos Oceanos, é necessário perceber que propostas podem crescer durante um mês de pesquisa e criação, dialogar com o tema, trabalhar em contexto colaborativo e, no final, produzir uma obra capaz de gerar reflexão para além do próprio espaço artístico.

Por isso, o processo de avaliação reúne três perspectivas complementares: um representante da Atlantic Logistic Services, responsável por trazer para a análise o propósito institucional e ambiental que está na origem do projecto; a representação da The Art Affair, associada a Alexandra Gonçalves, galerista, curadora e fundadora da produtora e galeria, com experiência na produção de exposições e na representação de artistas angolanos em circuitos nacionais e internacionais; e Hemak Verkron, curador da residência, artista e director de arte angolano.

Hemak-V desenvolve uma prática que cruza pintura, vídeo, instalação, muralismo e curadoria, investigando identidade, território, memória e futuros possíveis. Alexandra Gonçalves, por sua vez, tem construído um percurso ligado à produção e curadoria, ao mercado de arte e à projecção da criação angolana. O encontro entre estes olhares permite que cada candidatura seja lida simultaneamente como obra, processo, possibilidade de desenvolvimento e proposta de impacto.

Os critérios definidos procuram justamente evitar uma avaliação baseada apenas em gosto pessoal. O júri considera a qualidade artística e conceptual, a adequação do percurso ao tema da residência, o potencial de desenvolvimento durante o programa e a capacidade de integração no espírito colaborativo e comunitário. A análise das propostas considera ainda a sua viabilidade e o potencial de impacto ambiental, educativo e comunitário.

O desafio é exigente: seleccionar três vozes sem diminuir a riqueza das restantes. A decisão final será, acima de tudo, a escolha dos projectos com maior capacidade para transformar um mês de residência numa experiência artística com ressonância pública.