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Quando o Atlântico deixa de ser paisagem e passa a ser matéria de criação

Para a Atlantic Logistic Services, o mar faz parte do quotidiano. É rota, trabalho e actividade económica. Mas é também memória, identidade e responsabilidade. É desta relação que nasce Atlantic Waves of Change – Arte pelos Oceanos, uma iniciativa de responsabilidade cultural que procura aproximar dois universos que raramente ocupam o mesmo espaço: a criação artística contemporânea e a urgência de proteger os oceanos.

Desenvolvido em parceria com a The Art Affair, o projecto parte de uma ideia simples, mas ambiciosa: transformar criatividade em consciência e consciência em impacto positivo. Para isso, será criada em Luanda uma residência artística destinada a artistas angolanos, que terão tempo, espaço e acompanhamento para investigar, experimentar e produzir novas obras a partir da relação entre arte, ambiente, materiais reutilizados,
comunidades costeiras e Oceano Atlântico.

Mais do que financiar obras, a residência foi pensada como um processo. Haverá pesquisa, formação, mentoria, experimentação criativa e contacto com comunidades. Os artistas serão convidados a olhar para resíduos, objectos, territórios e experiências do quotidiano não apenas como matéria física, mas como pontos de partida para novas narrativas sobre o mar e sobre a forma como nos relacionamos com ele.

No final, as obras sairão do espaço de criação para encontrar o público numa exposição. E é aí que o projecto pretende completar o seu ciclo: fazer da arte uma linguagem capaz de tornar visível aquilo que, por vezes, parece distante — o desperdício, a pressão sobre os ecossistemas marinhos e a responsabilidade colectiva de os preservar. Em breve, a primeira vaga de artistas será convidada a fazer parte desta história. Porque
o futuro dos oceanos também pode começar numa ideia, numa matéria descartada ou numa obra que nos obrigue a olhar outra vez.